Três livros de não ficção escritos por George Orwell

Famoso por suas obras de ficção, George Orwell era também um exímio documentarista. Seus livros de não ficção se enquadram no que hoje chamamos new journalism, termo cunhado nos anos 60, décadas após a publicação das obras aqui mencionadas. 

Os primeiros livros de Orwell são leitura obrigatória para os fãs do autor e para qualquer um que deseje compreender melhor o contexto que o levaria a criar os clássicos da literatura de ficção científica que ainda hoje celebramos.

Conheça:

Na Pior em Paris e Londres (Down and Out in Paris and London, 1933) – Título de estreia de George Orwell

Sua primeira obra publicada, Na Pior em Paris e Londres é resultado de uma experiência radical a que George Orwell se submeteu por vontade própria, ao decidir seguir a carreira de escritor: viver em extrema pobreza, como forma de conhecer de perto a realidade de pessoas marginalizadas e oprimidas, tema que pretendia abordar em seus livros.

Orwell inicialmente se instalou em Paris, onde dava aulas de inglês. Sem muitos alunos, ele chegou a passar fome, precisando vender as próprias roupas e trabalhar lavando pratos em restaurantes da capital francesa. 

O autor partiu mais tarde para Londres, na Inglaterra, onde passou a conviver com pessoas em situação de rua e frequentou albergues em busca de comida e lugares onde pudesse passar a noite. 

Na Pior em Paris e Londres foi recusado por diversas editoras, antes de sua publicação. Curiosamente, a brasileira Mabel Lilian Sinclair Fierz, amiga de Orwell, é apontada por diversos biógrafos como responsável por convencer o editor Leonard Moore a publicar o livro, em 1933.

O Caminho para Wigan Pier (The Road to Wigan Pier, 1937)

No sistema capitalista, para que a Inglaterra possa viver em relativo conforto, 100 milhões de indianos têm de viver à beira da inanição – um estado de coisas perverso, mas com o qual você consente a cada vez que entra num táxi ou come morangos com creme.” — Trecho de O Caminho para Wigan Pier, 1937.

George Orwell testemunhou as condições dos trabalhadores das minas de carvão de Lancashire e Yorkshire, no norte da Inglaterra, tema retratado em O Caminho para Wigan Pier

A obra denuncia o colonialismo brutal praticado pelo Império Britânico, expondo de maneira gráfica a pobreza, as condições sub-humanas de moradia e o sofrimento dos mineiros e de suas famílias, que ainda viviam sob temor constante do desemprego (ondas de desemprego eram frequentes na região). 

O Caminho para Wigan Pier é o retrato de uma vivência que levaria Orwell a aderir ao socialismo e se unir ao recém-criado Partido Operário de Unificação Marxista, naquela mesma época.

Lutando na Espanha (Homage to Catalonia, 1938)

Lutando na Espanha é um relato dos dias de combate durante a Guerra Civil Espanhola, dos quais o autor participou diretamente — Orwell lutou em Barcelona, em 1937.

Com valor historiográfico, o livro traz reflexões premonitórias (a Segunda Guerra Mundial ainda não havia alcançado seu ápice) e ainda hoje pertinentes sobre a problemática do totalitarismo. 

Não é difícil estabelecer relação entre a experiência como combatente de guerra, neste livro relatada, e as mais famosas obras de Orwell, publicadas anos mais tarde: A Revolução dos Bichos (1945) e 1984 (1949).

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