Os livros e autores que inspiraram Matrix e foram leitura obrigatória para o elenco do filme

Muitos livros inspiraram “Matrix” (1999). Um dos mais conhecidos é o romance cyberpunk “Neuromancer” (1984), de William Gibson, onde o termo “matrix”, que no livro é uma rede mundial de computadores, aparece pela primeira vez em uma obra de ficção científica. 

Não somente o termo que dá nome ao software e ao próprio filme, mas também a escolha de “Zion” como nome da última cidade humana no roteiro das irmãs Wachowski é uma referência clara à obra de Gibson. No livro, Zion é uma cidade localizada na órbita da Terra.

Leituras obrigatórias para o elenco

Ao menos três outros livros inspiraram “Matrix”. Tamanha a relevância para o desenvolvimento do filme, foram leitura obrigatória para parte do elenco e equipe. O mais conhecido é “Simulacros e Simulação” (1981), de Jean Baudrillard, uma obra que interpreta o que tomamos por realidade como mera simulação, feita a partir de símbolos e signos. 

Uma cópia de “Simulacros e Simulação” chega a aparecer em plano-detalhe nos primeiros minutos do longa: é o livro falso onde Neo guarda os discos de seu trabalho como hacker. Também nesta sequência vemos a tatuagem de coelho que remete o personagem à indicação recebida, “siga o coelho branco”, mais uma referência a uma obra literária: “Alice no País das Maravilhas” (1865), de Lewis Carroll.


“Simulacros e Simulação” (1981), de Jean Baudrillard, em cena de “Matrix” (1999).

Os outros dois livros indicados ao elenco — que, segundo Keanu Reeves, precisaram ser lidos antes mesmo do roteiro — são “Out of Control” (1994), de Kevin Kelly, e “Introducing Evolutionary Psychology” (1999), de Dylan Evans, que tratam sobre temas como cibernética, teoria do caos e psicologia evolutiva.

A ideia era que os principais envolvidos no filme fossem capazes de compreender suas nuances filosóficas. Tal decisão não surpreende quando se considera que as irmãs Wachowski precisaram contratar ilustradores para desenvolver storyboards e apresentá-las aos produtores da Warner Bros., já que eles estavam confusos com a premissa do filme. Um literal “entendeu ou quer que eu desenhe?”.

Outras influências

Ele próprio um fã de ficção científica, Keanu Reeves afirma que ao ler o roteiro de “Matrix” pela primeira vez, pensou em autores como Friedrich Nietzsche, Júlio Verne, Philip K. Dick, Frank Miller e, é claro, William Gibson.


Neo (Keanu Reeves) em cena de “Matrix”.

O filme já foi discutido por críticos e pesquisadores também segundo as filosofias de René Descartes, Immanuel Kant e Robert Nozick, além dos paralelos estabelecidos com o Mito da Caverna, de Platão.

Para relembrar a alegoria de Platão: prisioneiros vivem algemados em uma caverna desde a infância, e seu conhecimento do mundo limita-se às sombras projetadas na parede por uma fogueira. Cópias distorcidas do real, portanto, que eles acreditam ser toda a realidade existente. Um prisioneiro liberto que conhecesse o mundo exterior e contasse a verdade aos demais seria julgado como louco. 

Neo seria o prisioneiro liberto, portanto, embora a realidade por ele descoberta seja absolutamente desoladora, ao contrário do que acontece no Mito da Caverna, em que o prisioneiro é apresentado a um mundo muito melhor que aquele que conhecia. 

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