Entrevista com Jean Carlo Barusso

Jean Carlo Barusso é publicitário, professor de língua portuguesa e literatura. Com raízes fortes no concretismo, começou a postar seus textos em 2015. De lá pra cá, já foram mais de 600. Jean é autor de 2 livros: Viva a/à poesia e O olho.

Nosso parceiro Cosme, do Redaline, trouxe uma entrevista com o autor, confira como rolou a conversa: 

REDALINE – Atualmente a poesia vem transformando a nossa literatura e obtendo mais espaço nas redes sociais, se tornando mais coletiva e acolhedora com os perfis literários e os escritores.Você acredita que essa transformação é positiva para os autores de poesia ?

JEAN C. BARUSSO – Olha, a minha impressão foi totalmente condicionada pela minha experiência com essas plataformas, que é a seguinte: sou uma pessoa de uma cidade do interior do Paraná e vendi livros para todos os estados do país (inclusive, mais para fora do que para o meu). Isso aconteceu por meio das mídias sociais, sobretudo Facebook, Instagram e WhatsApp. Sinceramente, eu não sei se meu trabalho teria o alcance que tem sem essas ferramentas. Então, do ponto de vista mercadológico, vejo como um mecanismo que me ajudou muito. Porém, acredito que a proposta das mídias, a qual me parece ser uma busca desenfreada e delirante por agilidade e perfeição e um grande apelo à imagem em vez de texto, cria um certo conflito com pontos que me parecem fundamentais para a poesia: a demora e o erro. 

Embora haja pessoas que subvertam a lógica desse jogo e dediquem um momento do seu dia para ler um poema na tela do celular — e é para elas que os autores precisam direcionar a energia, a comunicação e o coração —, já sabemos há muito tempo que o ambiente tem bastante influência sobre nosso comportamento. Neste caso, a inundação de notificações dos aparelhos é mais um elemento desfavorável à leitura. Para mim, o ambiente virtual foi fundamental para movimentar minhas produções artísticas mesmo que seja mais favorável a outros tipos de conteúdo (ou outras abordagens), mas será diferente para cada autor, pois os resultados dependem muito da estética e da proposta. 

REDALINE – Mesmo com um mercado literário tão disputado e difícil, você acredita que ainda é viável aventurar-se na publicação de poesia?

JEAN C. BARUSSO – Bem, publicar poesia e pagar as contas com poesia são coisas diferentes. Há pessoas sobrevivendo integralmente disso, mas vejo que não é a realidade da maior parte daquelas que trabalham com cultura e arte, e isso não é uma novidade. De modo geral, esse padrão se manteve ao longo da história, com artistas tendo outras ocupações para gerar sustento (sobretudo cargos elitizados). Porém, desenvolvendo um trabalho em que a arte seja a primeira das preocupações e movimentando bem a distribuição (e isso provavelmente passará por estratégias com as já comentadas mídias sociais), me parece possível chegar a essa situação.

Quais as maiores dificuldades e desafios que um(a) escritor(a) pode enfrentar? 
O ego, o medo, a insegurança, a vergonha e os boletos.

REDALINE – Em sua opinião, quais as maiores dificuldades e desafios que um(a) escritor(a) pode enfrentar ao tentar publicar uma obra de poesia atualmente?

JEAN C. BARUSSO – O ego, o medo, a insegurança, a vergonha e os boletos.

REDALINE – Gostaria que você falasse um pouco de seus futuros trabalhos e projetos para o meio literário.

JEAN C. BARUSSO – Gostaria de publicar o terceiro livro neste ano, mas ainda preciso estruturar um pouco melhor como materializar isso. A obra em si já está bastante adiantada, com título definido, capa mais ou menos desenhada, e a maioria dos textos já selecionada. Tenho também outros projetos relativamente estruturados de mais três publicações de poesia, inclusive um deles de concretismo. Além da literatura, neste ano vou gravar e lançar ao menos uma música minha, dando vazão ao meu lado compositor e músico.

REDALINE – Gostaria que você pudesse nos indicar alguns livros e autores que são importantes pra você e que possam ser interessantes para os leitores conhecerem.

JEAN C. BARUSSO ☆

POESIA 
Janderson Cunha – O Perfume da Pedra 
Roberto Navarro – Autópsia 
Bobby Baq – Nódoa 
Arnaldo Antunes – n.d.a 
Augusto dos Anjos – EU e outros poemas 
António Corvo – Frenocômio 
Patrícia Pinheiro – Quadripartida 
Estrela Leminski – Poesia é não 
Paulo Leminski – Toda poesia 
Ferreira Gullar – Poema Sujo 

OUTROS GÊNEROS 
Milan Kundera – A Insustentável Leveza do Ser 
Albert Camus – O Mito de Sísifo 
Clarice Lispector – Água Viva 
João Ubaldo Ribeiro – A Casa dos Budas Ditosos 
José Saramago – Ensaio sobre a Cegueira 
Raduan Nassar – Lavoura Arcaica 
Fernando Pessoa (Bernardo Soares) – O Livro do Desassossego 
Carolina Maria de Jesus – Quarto de Despejo 
Lourenço Mutarelli – A Arte de Produzir Efeito Sem Causa 
Yuval Noah Harari – Sapiens: Uma breve história da humanidade 
Jorge Colli – O que é Arte? 
Sigmund Freud – O Futuro de uma Ilusão

Publicado por Cosme R, do @blogredaline, você confere o texto original por aqui.

SINOPSE 
Um louvor à loucura, à libido e à linguagem: isso é o olho, segundo experimento linguístico de Jean Carlo Barusso.
Os 99 poemas são resultado de uma sequência de fracassos e desistências inerentes ao processo artístico de mais um primata que se encanta com o gozo promovido pela poesia.
Insignificante como tudo e sincero como quase ninguém, este livro tem apenas uma pretensão: gerar um momento de beleza em meio ao caos.

Gostei desse livro, quero comprar.

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